Pedagogia Waldorf abre primeira faculdade no país

Na contramão da corrida das escolas por usar cada vez mais computadores, tablets e celulares no ensino, a pedagogia Waldorf, que valoriza os trabalhos manuais, o movimento e o contato dos alunos com a natureza, acaba de inaugurar a sua primeira faculdade no Brasil.

Apesar de críticas ao método feita por alguns educadores – principalmente pela alfabetização ser feita mais tarde, depois dos 7 anos -, a Faculdade Rudolf Steiner iniciou as aulas em fevereiro, autorizada pelo Ministério da Educação no final de 2017.

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O curso é de pedagogia e soma ao ensino tradicional a metodologia Waldorf. Define-se, portanto, como uma faculdade Waldorf de pedagogia, e não como uma faculdade de pedagogia Waldorf. A grade curricular associa disciplinas como danças brasileiras, experiências poéticas e educação do corpo às regulares, exigidas pelo MEC.

Os graduados poderão dar aulas em qualquer escola. Essa é, aliás, a intenção do grupo que estruturou o curso.

“Será ótimo criar um diálogo com diferentes linhas educacionais. Temos o desejo de que a maioria dos professores aqui formados vá trabalhar em escolas que não são Waldorf, especialmente nas públicas”, afirma Melanie Mangels Guerra, 54, diretora da faculdade.

Para isso, a exigência de cargas horárias em estágios em escolas públicas será maior, seguida pelas particulares ditas convencionais e, por fim, pelas Waldorf.

Segundo ela, a metodologia pode levar a outras instituições ou nelas reforçar “uma visão mais ampla da criança”, em que o seu aprendizado e as suas ações estão diretamente associados às suas emoções.

Nesse contexto, o professor deve ter com o aluno uma relação de confiança, de forma que consiga, por exemplo, perceber suas dificuldades e o auxiliar a superá-las.

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Nas escolas Waldorf, o mesmo professor costuma acompanhar a turma por um longo período, em algumas durante até oito anos. É preciso, para tanto, passar por uma formação específica, além da faculdade de pedagogia, com cursos de extensão ou de pós-graduação de duração média de três anos. Mesmo os formados na Rudolf Steiner terão de fazê-lo.

Cigarro

A nova faculdade fica em um terreno de 16.600 m², repleto de árvores, no Alto da Boa Vista, zona sul de SP.

Desde 1959, funciona no local a primeira escola Waldorf do Brasil, inaugurada três anos antes, em 1956, em um casarão de Higienópolis por imigrantes europeus.

Chama-se também Rudolf Steiner, nome do filósofo austríaco criador da antroposofia, que seria, em uma explicação simplificada, um método de conhecimento do ser humano como um todo, em aspectos físicos e emocionais.

A partir dessa ideia, em 1919, diante de uma Europa devastada pela Primeira Guerra, Steiner fundou uma escola para os filhos de trabalhadores de uma fábrica de cigarros, a Waldorf-Astoria, em Stuttgart, na Alemanha.

No Brasil, há atualmente 74 escolas autorizadas a usar a metodologia pela Federação de Escolas Waldorf, com 9.702 estudantes. Em torno de mais 130 estão no processo de certificação. Dentre as oficiais, o estado de São Paulo concentra a maior parte, 40. Há 20 anos, eram apenas nove.

O crescimento ocorreu justamente no período de avanço acelerado da tecnologia, quando os debates sobre as horas passadas por crianças e adolescentes diante da TV foram atropelados por uma realidade em que bebês não desgrudam da tela de celulares.

Contrária à tendência das escolas de trazer esses hábitos para as aulas, a pedagogia Waldorf trabalha com computadores somente no ensino médio e estimulam os pais a controlar a exposição dos filhos às mídias digitais.

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No fundamental, ao solicitar pesquisas, os professores orientam os alunos a visitar bibliotecas ou a procurar outras fontes, como entrevistas.

A mensalidade da graduação na Rudolf Steiner custa R$ 1.498 e há atualmente 32 alunos – há vagas para 50 estudantes.

O processo seletivo se dá por meio de um vestibular próprio, e são oferecidas dez bolsas de estudo. A faculdade também tem pós-graduação (R$ 906 de mensalidade), hoje com 35 matriculados, e mantém cursos de extensão (preço depende da carga horária), frequentados atualmente por 120 profissionais.

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