Luciano Pizzatto e sua capacidade de conversar até com adversários políticos

As manifestações de pesar pela morte do ex-deputado federal Luciano Pizzatto (PP) foram um dos poucos fatos recentes que colocaram do mesmo lado Beto Richa (PSDB) e Roberto Requião (PMDB). Em tempos de radicalizações e rompimentos, isso revela a principal qualidade política de Pizzatto: o diálogo e a capacidade de negociar politicamente não apenas com os seus.

Sua vida pública começou em 1986, quando, seguindo o espírito do tempo, filiou-se ao PMDB. Poucos anos depois, em 1990, foi para o PRN, partido de Fernando Collor, e a partir daí começou uma trajetória rumo à direita, passando pelo PFL/DEM, PRTB e, por fim, o PP, partido pelo qual planejava disputar uma cadeira na Câmara Federal em outubro.

Em 1989 chegou ao seu primeiro mandato como parlamentar ao assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná depois de ficar na suplência por dois anos. Já no ano seguinte chegou à Câmara Federal, onde foi deputado por cinco mandatos e ocupou o cargo de vice-líder do bloco PFL/PST.

Uma das principais bandeiras de Pizzatto enquanto parlamentar era a tentativa de conjugar a produção agrícola, o manejo florestal e a conservação do ambiente. Entre os ambientalistas sua atuação era vista com reservas. Já os aliados lembram do ex-deputado como um defensor das causas ambientais que entendia profundamente do tema e compreendia a necessidade de articular a defesa da natureza com a produção agrícola.

Neste campo, mais uma vez, Pizzatto recorria ao diálogo. Em uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, em 2002, o então parlamentar foi definido como “um ruralista com bom trânsito entre ambientalistas”. Uma história contada pela vice-governadora Cida Borghetti (PP), que estava com o deputado em Brasília poucas horas antes de sua morte, ilustra essa característica.

Na terça-feira (22), Cida e Pizzatto, que chefiava o escritório de representação do Paraná em Brasília, foram ao Fórum Mundial da Água. No evento, encontraram Mario Mantovani, diretor da ONG ambientalista SOS Mata Atlântica. Segundo Cida, os dois se abraçaram e fizeram piada com o fato de todos acharem que seriam inimigos.

Entre as leis aprovadas por Pizzatto nesta temática está a criação do Parque Nacional da Ilha dos Currais, que fica entre as baías de Guaratuba e Paranaguá, a 6,2 milhas de distância da costa, em frente ao município de Pontal do Paraná. Ele também propôs a ampliação do Parque Nacional do Superagui de 21 mil para 30 mil hectares. A medida foi sancionada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1997.

A vice-governadora Cida Borghetti, que além de correligionária de Pizzatto é vizinha e amiga da família, comentou a atuação política do ex-deputado.

“O Luciano era uma pessoa que agregava pela simpatia. É um jeito fácil de conquistar de fazer amizade. Ele transitava bem em os partidos, conversava com todos, independentemente da ideologia política. Isso é uma referência positiva para um homem público”, disse,

Cida, que passou a terça-feira com o ex-deputado, contou que ele estava animado, fazendo piadas e não demonstrou nenhum problema de saúde. Segundo ela, Pizzatto estava animado com os preparativos do almoço para celebrar seu aniversário de 61 anos, que seria comemorado no próximo domingo (25).

Pizzato era casado com Dora Maria Ficinski Dunin Pizzatto, que atualmente preside o Instituto Curitiba de Saúde (ICS). Com ela teve três filhos. Um deles, Pedro Pizzatto, foi candidato a deputado federal em 2014 pelo DEM.

Chefe do escritório de representação

O último cargo público ocupado por Pizzatto foi a chefia do escritório de representação política do Paraná em Brasília. Ele foi nomeado para o cargo de secretário em Brasília em 31 de maio de 2017. Desde então, realizou reuniões com embaixadores na tentativa de aproximar o Paraná de investidores estrangeiros.

No período, segundo o chefe de gabinete de Pizzatto, Henrique Di Luca, o ex-parlamentar também acompanhou de perto as demandas das secretarias estaduais junto a órgãos do governo federal e mantinha um bom relacionamento com a bancada do Paraná no Congresso. “Ele também mantinha os prefeitos do Paraná sempre informados sobre programas do governo federal, avisando onde eles poderiam captar recursos para os seus municípios”.

O governador Beto Richa, que nomeou Pizzatto para seu último cargo, decretou luto oficial de três dias no estado e se pronunciou sobre a morte.

“O dia de hoje nos reservou uma triste notícia. O falecimento do ex-deputado e secretário especial do Governo, Luciano Pizzatto. Que Deus conforte a família neste momento de dor e que ele descanse na paz do Senhor!”, escreveu o governador em suas redes sociais.

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