Futuro de Curitiba em nove áreas é tema de planejamento estratégico

Como será a Curitiba de 2035? A resposta não é puro exercício de futurologia: em conjunto com a prefeitura de Curitiba e a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a Comunitas – uma organização da sociedade civil – quer apresentar perspectivas concretas para a realidade da capital paranaense em quase vinte anos. O resultado dos estudos, que vêm sendo conduzidos desde 2016, será apresentado nesta terça-feira (8), em um evento no Parque Barigui. 

O planejamento estratégico para Curitiba elaborado pelas três entidades está dividido em nove áreas temáticas: cidade da educação e do conhecimento; desenvolvimento socioeconômico; mobilidade e transporte; saúde e qualidade de vida; meio ambiente e biodiversidade; coexistência em uma cidade global; planejamento e gestão urbana; segurança; e governança.

No documento, cada uma das áreas é detalhada em relação ao cenário atual e, depois, são apresentadas metas de curto (2017-2020), médio (2021-2027) e longo prazo (2028-2035) envolvendo as temáticas. No total, são 1.148 objetivos para serem atingidos até 2035. 

De acordo com o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, os temas foram escolhidos tendo em vista a efetividade das metas estabelecidas. “A ideia é que, agora, os objetivos possam ser monitorados pela população”, explica. 

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Políticas de estado

O processo de construção do plano foi iniciado em 2016, quando havia a possibilidade de transição de gestões caso o então prefeito Gustavo Fruet (PDT) não fosse reeleito. A escolha não foi à toa. De acordo com Regina Esteves, diretora-presidente da Comunitas, a ideia era, justamente, pensar em políticas de estado, que não fiquem restritas a uma única gestão de governo.

“O desafio é colocar atores da sociedade civil, do setor privado e do poder público para pensar um projeto de futuro para a cidade conjuntamente. No caso da prefeitura, incentivamos a participação dos servidores de carreira porque eles ficam, independentemente da gestão”, explica Regina. 

O Executivo municipal parece ter entendido o recado. “O plano é ambicioso porque avança 15 anos depois do meu mandato, deixando um legado”, disse o prefeito Rafael Greca (PMN) à Gazeta do Povo

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Integração é o foco

Apesar da variedade de metas estabelecidas, Greca dá destaque à integração com a região metropolitana como o principal foco da sua gestão. “Estamos preparando um plano de malha viária metropolitana comum para ser implementado nos próximos três anos”, afirmou.

Uma das obras já foi anunciada pelo prefeito: a Conectora 3, que pretende fazer a ligação entre as regiões leste e oeste da cidade no sistema trinário, isto é, com o transporte coletivo circulando em canaletas exclusivas. A estrutura é prevista para ir de Araucária até São José dos Pinhais, passando pelos bairros CIC, Fazendinha, Portão, Hauer e Boqueirão. 

A Conectora 3 foi anunciada em março do ano passado, quando o prefeito afirmou que essa era a obra escolhida para “marcar” seus quatro anos à frente do Executivo municipal. Mas, por enquanto, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) informa que o projeto ainda está em fase de captação de recursos com o governo federal. 

Para as demais metas, Greca afirma que a intenção é “deixar um desenho” para as próximas gestões. 

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Discussão com a sociedade

Esse não é o primeiro planejamento estratégico desenvolvido para Curitiba. Metas para 2030 já haviam sido estabelecidas em um estudo realizado somente pela Fiep, ainda no início dos anos 2000. 

Para a concretização do novo planejamento, foram realizados painéis com especialistas e reuniões com entidades da sociedade civil. “É uma metodologia que já é adotada pelo observatório da indústria em estudos para outras prefeituras e setores. A ideia é fazer uma ampla discussão com a população a respeito dos temas, para só então estabelecer as metas”, afirma Campagnolo.

Colaborou Flávia Silveira, especial para a Gazeta do Povo

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