Conexão China: escolas e pais incentivam ensino do mandarim

O crescimento da China como potência econômica trouxe a possibilidade de um novo intercâmbio comercial e, com isso, novas oportunidades profissionais para a população ocidental que crê em uma aproximação com o país asiático. Uma forma de se preparar para essas oportunidades é aprender o mandarim desde cedo – e escolas já começam a perceber essa tendência. 

Nos Estados Unidos, algumas instituições de educação básica já incluem o ensino do idioma desde as séries iniciais. Na cidade de Nova York, a língua é ensinada tanto em escolas particulares de elite quanto em escolas públicas – nessas, em caráter facultativo, já a partir dos três anos de idade. 

Essa é uma tendência presente nos EUA nos últimos anos: em 2012, famílias norte-americanas já estavam buscando viver na China para adquirir fluência no idioma, de acordo com o Wall Street Journal

“Famílias estão matriculando as crianças em programas de imersão em mandarim que estão surgindo da Califórnia ao Maine. Eles estão contratando instrutores, se comunicando por Skype com professores e recrutando babás que falam chinês”, diz. 

Tendência 

Isso se repete em países fora do eixo tradicional: na África do Sul, o mandarim faz parte do currículo das escolas públicas desde 2016, em um programa financiado por meio de uma parceria entre o país africano e a China. 

O objetivo é preparar a população para um estreitamento das relações entre os países. “Isso terá um benefício de longo prazo. Esse movimento de introduzir a linguagem no nível fundamental é lógico e se adapta a tendências públicas globais”, afirmou Sanusha Naidu, pesquisadora no Institute for Global Dialogue, na Cidade do Cabo, África do Sul, em entrevista à Al Jazeera

No Brasil, porém, o mandarim ainda é quase exclusivo dos cursos de idiomas. Mesmo assim escolas de educação básica começam a voltar os olhos para a língua.

“Nos últimos anos percebo uma demanda de crianças estudando mandarim, graças a uma influência paterna: a família trabalha diretamente com chineses, então percebem cada vez mais essa necessidade e acabam investindo no ensino dos filhos”, explica Lin Chun Hsein, professor do Centro Asia, em Curitiba. 

O Colégio Estadual Matemático Joaquim Gomes de Souza, em Niterói (RJ), oferta o mandarim, além do inglês, como língua estrangeira para os estudantes de ensino médio.  A escola já enviou grupos de alunos em viagens ao país asiático. A iniciativa permite aos estudantes uma possibilidade de imersão completa no idioma e na cultura chinesa. 

Controvérsia 

Apesar de o objetivo em dominar o mandarim ser a inserção em um novo mercado, a efetividade das perspectivas profissionais geram controvérsia. No Reino Unido, segundo especialistas, as oportunidades relacionadas ao mercado chinês não são suficientes para criar a necessidade de formação complementar no idioma. 

Simon Bell, diretor da empresa de recrutamento Page Executive no Reino Unido, afirmou que empresas ainda colocam o mandarim como uma habilidade adicional, não obrigatória. “Se uma empresa vier até nós dizendo que precisam de alguém com conhecimentos em chinês, a dedução seria que eles não encontrariam ninguém”, disse em entrevista à CNBC

O chinês é visto como uma língua muito difícil. Poderá demorar dois anos para aprender. A língua tem milhares de caracteres que se combinam para formar ideogramas, diversos tons de pronúncia com significados diferentes para uma mesma grafia e exige pelo menos 2,2 mil horas de estudo para seu domínio – o espanhol, por exemplo, pode ser aprendido em cerca de 700 horas”, completa. 

Esse aspecto também é destacado por Alex Berghofen, sócio-gerente da HELEX Asia, empresa de recrutamento para consultores na Ásia. “É impossível conseguir fluência no mandarim sem passar 3 a 4 anos na China. Então, a menos que você seja jovem e queria fazer esse investimento significativo de tempo, não faz muito sentido para a carreira”, diz.

Abordagem intercultural 

O já citado nível de dificuldade do mandarim torna o idioma uma opção para ser aprendido desde a infância, com tempo para desenvolver habilidades como leitura e escrita de ideogramas, além da pronúncia de tons que não fazem parte da língua portuguesa. 

Mas é necessário respeitar o tempo de desenvolvimento da criança: um primeiro contanto com a língua chinesa pode ser feito através de conhecimentos sobre a cultura – assim, a criança pode se interessar em adquirir mais conhecimentos e aprender o idioma. 

“O que tem sido proposto é que em sala de aula o professor utilize uma abordagem intercultural. Que ele não necessariamente ensine o idioma em si, mas que faça uso de uma abordagem que traga boa parte da cultura daquele povo para despertar na criança o interesse futuro por essa língua”, explica Fernanda Silva Veloso, doutora em Estudos Linguísticos pela UFPR. 

Segundo Fernanda, é necessário que o contato seja por interesse da criança, e não por uma pressão para o futuro profissional. “Não acredito que uma criança tenha que carregar esse peso. Dar essa responsabilidade pode trazer uma aversão irreversível da criança a essa língua”, completa. 

Se há um consenso, porém, ele está na melhor idade para iniciar os estudos de um idioma tão complexo. 

“A mente de crianças e adolescentes é mais aberta. Elas são mais maleáveis quanto ao aprendizado; ou seja, absorvem coisas novas com mais facilidade e o aprendizado se dá de forma mais natural e mais fácil”, diz Enny Wu, professora de mandarim na escola de idiomas Nin Hao, no Rio de Janeiro. 

Alternativas 

Enquanto o mandarim não chega às escolas brasileiras, é possível aprender por meios menos tradicionais. O aplicativo Mandarin Journey, criado pelo brasileiro Marcelo Zilberberg, aluno do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ensina mandarim como segunda língua. 

Mandarin Journey ensina o idioma por meio de uma história em quadrinhos interativa dividida em capítulos que são desbloqueados conforme o usuário acerta o significado e usos de ideogramas. Para fixar o vocabulário, as palavras são demonstradas também no alfabeto latino e pronúncia em áudio. 

Outra iniciativa para quem deseja aprender mandarim por conta própria é o canal no Youtube da professora de chinês Liao Si: o Pula Muralha ensina o idioma por meio de uma técnica exclusiva desenvolvida pela professora, as “Cartas Mágicas de Chinês”, uma espécie de baralho com 60 cartas com ilustrações que representam o significado de mais de 200 ideogramas chineses. 

(function(d, s, id) {
var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0];
if (d.getElementById(id)) return;
js = d.createElement(s); js.id = id;
js.src = “http://connect.facebook.net/pt_BR/sdk.js#xfbml=1&version=v2.6”;
fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs);
}(document, ‘script’, ‘facebook-jssdk’));

Source link

Be the first to comment on "Conexão China: escolas e pais incentivam ensino do mandarim"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*