Ameaça de Kim Jong-un mostra que ele não vai desnuclearizar o país

ameaça da Coreia do Norte de suspender a cúpula entre o ditador Kim Jong-un e o presidente Donald Trump no próximo mês é certamente um blefe, mas, mesmo assim, deve servir como um alerta para a Casa Branca. Trump já concedeu a si mesmo o Prêmio Nobel da Paz, pois ele e seus assessores prometem não aceitar nada menos que a “completa, verificável e irreversível desnuclearização da Coreia do Norte”, em curto prazo. Mas a birra retórica da Coreia do Norte foi um lembrete de que o regime de Kim quase certamente não concordará com tal coisa. 

“Se os EUA estão tentando nos forçar a abandonar o nosso programa nuclear unilateralmente, não vamos mais nos interessar por tal diálogo”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Kim Gye Gwan, na quarta-feira (16). Ele pareceu particularmente irritado com comentários do conselheiro de segurança nacional John Bolton, que sugeriu que um acordo norte-coreano teria como base aquele que foi firmado com a Líbia em 2003. Esse desarmamento rápido e unilateral abriu o caminho para a derrubada do regime de Muamar Kadafi quase oito anos depois. 

Mas Gwan poderia estar descrevendo o secretário de Estado, Mike Pompeo, que em suas observações de domingo desacreditou “o modelo tradicional” de um acordo com a Coreia do Norte, “onde eles fazem algo e lhes damos um monte de dinheiro… Nosso pedido é completa e total desnuclearização”.

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A retórica norte-americana indica que o ditador norte-coreano decidiu uma surpreendente reversão da política que está em curso há décadas e, de repente, está preparado para aceitar o desarmamento total em troca de garantias de segurança e investimento econômico. No entanto, nada que Pyongyang tenha dito ou feito publicamente demonstra isso. Pelo contrário, Kim Jong-un parece estar seguindo quase exatamente o mesmo roteiro que seu pai, Kim Jong-il, quando ele fechou um acordo sobre armas nucleares em 2005 – e então, tendo embolsado os ganhos econômicos de curto prazo, procedeu a violá-lo. 

Nas últimas semanas, Kim libertou três americanos que o regime mantinha como prisioneiros e fez um desmantelamento de um local de testes nucleares. Os atos são manobras praticadas. Uma década atrás, Kim Jong-il convidou repórteres para assistir à destruição de uma torre de resfriamento de um reator onde se produzia plutônio – apenas para restaurar as instalações alguns meses depois. Ameaças para sair das negociações e o cancelamento abrupto de reuniões também fazem parte do padrão Coreia do Norte de diplomacia. 

Embora não possamos descartar uma completa mudança, o mais provável é que Kim pense em negociar um processo de paz em vários estágios, no qual o desarmamento completo é uma meta de longo prazo e a Coreia do Norte é recompensada por cada etapa implementada – em outras palavras, algo como os acordos de 1994 e 2005 que Pompeo descartou. Como a Coreia do Sul e a China parecem apoiar esse arranjo, Trump arrisca isolar os Estados Unidos se o rejeitar – com a consequência provável de minar a “pressão máxima” multilateral que, ele acredita, levou Kim à mesa de negociações.

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Consequentemente, a administração deveria estar contemplando que tipo de acordo parcial ou em fases a Coreia do Norte aceitaria. Se Kim puder ser induzido a tornar seu congelamento de testes permanente e impedir qualquer implantação ou exportação de armas nucleares, por exemplo, isso seria muito preferível às condições atuais. A questão é: pode Trump aceitar um meio termo, pelo menos a curto prazo? Se não, ele provavelmente deixará a mesa de negociações sem nada.

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