18 anos dos desenhos do Google e das pessoas que os odeiam

No último domingo (1) tivemos a Páscoa, quando, de acordo com uma tradição de longa data, pessoas de todo o mundo ficaram indignadas pela falta de um desenho em uma barra de pesquisa. “O Google esnobou a Páscoa e não fez nenhum doodle pelo 18º ano consecutivo, dizem os cristãos”, relatou a Fox News, citando dois exemplos de cristãos que reclamaram: um editor do site Infowars e o ator James Woods.

Com certeza, os dois cristãos ficaram chateados pelo fato de o dia sagrado não ter sido marcado por um trocadilho visual na página inicial do Google – um Google Doodle, nome oficial para os desenhos que aparecem no Google quando há uma data comemorativa. “Eles [O Google] detestam os cristãos”, supôs Woods, e ele parecia falar por muitos.

Como observou a Fox, o Google diz que não faz mais doodles para feriados religiosos. A última vez que um ovo de Páscoa apareceu em sua página inicial foi em 2000 – perto do início da tradição de colocar desenhos em sua página inicial e dos primeiros relatos de usuários ofendidos com os desenhos, não importando o que eles representem ou não.

Confira, a seguir, uma lista com doodles que despertaram a ira de críticos:

Um doodle da Terra


Google/Divulgação

O Google Doodles começou como uma piada obscura, como recontou a revista americana Slate. Os fundadores da empresa primeiro ajustaram o logotipo para que os usuários soubessem que estavam no período do festival Burning Man, que acontece nos Estados Unidos. Isso foi em 1998.

Três anos depois, o Google mudou as duas letras O em seu logotipo para dois globos terrestre, em comemoração ao Dia da Terra, em 2001.

Isso se mostrou tão popular entre os usuários que os doodles homenageando o Dia da Terra se tornaram anual. Um gerente do Google, Dennis Hwang, disse mais tarde em entrevista à revista Slate que ficou surpreso quando os usuários começaram a reclamar dos desenhos. “Todos nós vivemos neste planeta”, observou ele. “Celebrar isso pareceu uma coisa inofensiva para se fazer.”

Como os próximos anos provariam, nenhuma celebração foi realmente inofensiva.

Um doodle de uma delicada flor

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/unnamed (1)-kToB-U203226645860ROF-1024x369@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

Ao escolher certos feriados como dignos de homenagens, mesmo aqueles tão insípidos quanto o Dia da Terra, o Google estava implicitamente desprezando os outros. “Nos oito anos de sua existência, eles nunca mencionaram Cristo”, reclamou o apresentador de rádio James Edwards em meados dos anos 2000, notando a ausência completa de doodles no Natal, para não falar da Páscoa.

Mas esses feriados poderiam pelo menos ser rejeitados por motivos seculares. O Google alegou não homenagear nenhum festival religioso explicitamente, mas não poderia fazer o mesmo com eventos patrióticos.

“Pelo oitavo ano consecutivo, o Google não fez nenhum esforço para comemorar qualquer feriado honrando veteranos de guerra ou mortos de guerra”, escreveu o site WorldNetDaily.com em 2006. “Sem homenagens ao Dia dos Veteranos ou Dia do Memorial”, relatando dois tradicionais feriados nos Estados Unidos.

Diante de uma enxurrada de usuários chateados, o Google alegou que esses feriados eram muito reverentes para a natureza de uma brincadeira, como um doodle. Mas a WorldNetDaily estava desconfiada e observou que o Google havia adicionado flores delicadas ao seu logotipo poucos dias antes da versão canadense do Dia dos Veteranos dos EUA, conhecida como “Remembrance Day”.

Um doodle de um satélite

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/unnamed (2)-kToB-U203226645860J4-1024x369@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

Se o Google achou que poderia contornar as guerras culturais celebrando marcos científicos em vez de feriados, estava errado. Como o Los Angeles Times relatou, muitos conservadores criticaram um doodle de 2007 comemorando o 50º aniversário do lançamento do primeiro satélite artificial – que foi feito por comunistas.

“O Google não apenas honrou uma conquista de um regime totalitário como prestou homenagem ao nosso inimigo de Guerra Fria”, afirmou a revista Times, apesar de nunca ter mudado seu logotipo para comemorar as datas militares dos Estados Unidos, como o Dia dos Veteranos ou Dia do Memorial.

Um doodle de um fóssil

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/unnamed (3)-kToB-U2032266458605OH-1024x369@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

Se um satélite soviético foi muito polarizador, talvez o mundo pudesse se unir em torno de um fóssil de 50 milhões de anos de idade? Certamente, o fóssil Darwinius não sofreria nenhuma objeção política.

Mas, naturalmente, o doodle feito para o fóssil em 2009 ofendeu os criacionistas. “Nem todo mundo está pulando no vagão do homem-macaco”, escreveu WorldNetDaily, depois de perguntar ao Google se o fóssil recém-descoberto havia provado a teoria da evolução.

Um doodle de uma artista mexicana

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/unnamed (4)-kToB-U203226645860gqG-1024x369@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

Frida Kahlo foi uma célebre artista mexicana que o Google homenageou em um doodle de 2010, muitos anos depois de sua morte.

Na revista National Review, Mark Krikorian reclamou posteriormente que ela – como o Sputnik – também era um “comunista repugnante”, e seu doodle era, portanto, contado entre os “pecados” do Google.

Um doodle de uma bandeira americana

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Futuro/veteransday2010-ps.jpg


Google/Divulgação

Depois de resistir aos críticos por anos, o Google acabou lançando desenhos patrióticos para o Dia dos Veteranos.

A tradição foi bem o suficiente por vários anos até 2010, quando para alguns o fato de o Google ter desenhado uma bandeira dos EUA sobre a letra “e” fazia com que o desenho assemelhasse a bandeira a um símbolo islâmico.

Um doodle do presidente John F. Kennedy

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/unnamed (5)-kToB-U203226645860IJB-1024x385@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

O Google lançou um retrato do John F. Kennedy (JFK) em sua página inicial em 2011, no 50.º aniversário de sua posse como 35.º presidente americano.

Ao ver isso, um escritor da National Review mostrou-se preocupado com o fato de o presidente Ronald Reagan não ter conseguir um doodle em seu centésimo aniversário, que aconteceu no mês seguinte à homenagem ao 50.º aniversário de JFK.

Um desenho animado infantil

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/unnamed (6)-kToB-U203226645860mj-1024x845@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

Em 2012, o Google lançou um doodle animado para o Dia dos Namorados com duas crianças pulando corda e se tornando amigas.

No final do desenho animado, uma montagem com pares felizes apareceu na tela, incluindo um gato e um cachorro, um astronauta e um alienígena e dois homens de smoking. Este último, alguns pensavam, era uma mensagem codificada.

“A infiltração da ideologia que o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o estilo de vida homossexual é bom para a sociedade continua, e nos últimos dias parece que eu não posso escapar disso”, reclamou a diretora de comunicação e marketing Ann Gundlach. “Hoje, como eu estava inocentemente aproveitando o delicioso doodle do Dia dos Namorados, lá estava novamente.”

“Não Jesus”

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/unnamed (7)-kToB-U203226645860t3H-1024x396@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

Se a moratória de duas décadas do Google com a Páscoa enfureceu alguns, você pode imaginar a reação em 2013 quando o feriado aconteceu no mesmo dia do aniversário do sindicalista Cesar Chavez, que recebeu um doodle.

A Fox News resumiu a reação: “No domingo de Páscoa, o Google homenageia Cesar Chavez, não Jesus.”

Futebol

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/download-kToB-U203226645860DH-1024x339@GP-Web.png


Google/Divulgação

O Google comemorou a Copa do Mundo de 2014 com uma série de desenhos animados sobre futebol. Nenhum crítico afirmou ver mensagens codificadas ou ocultas.

No entanto, Tim Cavanaugh acusou, na National Review, a campanha de “extinguir o mais precioso de todos os direitos humanos: o direito de simplesmente não se importar com algo que o ‘Big Brother’ insiste que você se interessa”. Caso seu argumento não fosse claro, ele ilustrou seu post com uma foto de um campo de futebol nazista.

Veteranos não brancos

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/veterans-day-2015-5639245909721088-hp2x-kToB-U203226645860ol-1024x410@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

O enigma do Dia dos Veteranos pode ser uma situação sem chances para o Google. Depois da controvérsia islâmica anos atrás, a empresa fez um doodle em 2015 de vários veteranos sorrindo e acenando. Mas, como observou o site do canal RT, os veteranos não eram brancos o suficiente para alguns.

Mural de um estudante do ensino médio

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/doodle-4-google-2016-us-winner-5664555055185920-hp2x-kToB-U2032266458600iB-1024x410@GP-Web.jpg


Google/Divulgação

Em 2016, talvez tentando terceirizar a responsabilidade para o público, o Google realizou um concurso nacional para projetar um doodle. O projeto vencedor foi “My Afrocentric Life”, criado por um estudante do ensino médio morador do estado de Washington. O desenho em estilo mural continha Nelson Mandela, Frederick Douglass e o slogan “Black Lives Matter”.

Assim, o site de notícias Breitbart associou o desenho ao terrorismo. “Horas após o ISIS atacar Bruxelas, o Google Doodle homenageou o ‘Black Lives Matter’”, disse o site.

Doodles de pássaros

/ra/pequena/Pub/GP/p4/2018/04/07/Economia/Imagens/Cortadas/Google-holiday-doodle-2017-day-1-kToB-U203226645860vkH-1024x576@GP-Web.png


Google/Divulgação

“O que os pássaros tropicais têm a ver com a Encarnação?”, perguntou o Daily Wire no ano passado, na época do Natal.

O que de fato? Nada, provavelmente. O Google tinha acabado de lançar um doodle animado de pássaros trocando presentes. Foi a animação escolhida pelo Google para comemorar o fim de ano e as férias. Mas isso foi o suficiente para que Wire, entre outros veículos de comunicação, se queixassem que a animação substituia Jesus por um tucano.

(function(d, s, id) {
var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0];
if (d.getElementById(id)) return;
js = d.createElement(s); js.id = id;
js.src = “http://connect.facebook.net/pt_BR/sdk.js#xfbml=1&version=v2.6”;
fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs);
}(document, ‘script’, ‘facebook-jssdk’));

Source link

Be the first to comment on "18 anos dos desenhos do Google e das pessoas que os odeiam"

Leave a comment

Your email address will not be published.


*